Quem vender produto quebrado pela internet terá de oferecer assistência técnica ao comprador, e quem prestar informação errada em transações virtuais pode ter de devolver o dinheiro.
Isso é o que prevê o decreto que regulamentará o comércio eletrônico no Brasil, uma das ações do pacote que a presidente Dilma Rousseff lança hoje para defender o consumidor brasileiro.
O comércio virtual, uma das modalidades de consumo que mais têm crescido, não tem hoje uma legislação exclusiva para garantir os direitos do
consumidor.
Os principais focos do decreto são: forçar a prestação de informações claras ao comprador, exigir cumprimento de prazos para entrega e fixar regras claras de pós-venda, como tempo de garantia e troca de produto com defeito.
Ou seja: incluir o comércio virtual nas normas do Código de Defesa do Consumidor, com punições para quem não honrar as obrigações.
Quem fizer venda pela internet também ficará obrigado a oferecer um canal de informação pelo qual o consumidor pode entrar em contato, além de informar o prazo para a resposta e a solução dos problemas.
Na avaliação do governo, além de resolver um vazio legal, é preciso preparar um mercado que registra crescimentos exponenciais.
Segundo pesquisa do Ibope do fim do ano passado, há 94 milhões de internautas no país, incluindo adolescentes e crianças.
outras áreas
Entre as propostas que vem sendo discutidas internamente no governo nas últimas duas semanas, estão também medidas para proteger mais os clientes de bancos e de companhias aéreas, além dos usuários de telefonia e de planos de saúde.
O objetivo é obrigar empresas a melhorar a qualidade do serviço no país justamente em setores com altos índices de reclamação.
No caso dos clientes bancários, uma das propostas discutidas prevê a definição de regras claras para migração de empréstimos consignados entre
os bancos, impedindo que uma instituição se recuse a fazer a transferência para uma segunda.
Além disso, foram apresentadas sugestões para punição de bancos que concedem empréstimos a clientes que estão superendividados e maior fiscalização para cumprimento de normas já fixadas, como a que determina a divulgação do custo efetivo pago pelo cliente ao tomar um empréstimo.
De 2011 para 2012, a quantidade de dados consumidos por cada smartphone praticamente dobrou -a média global passou de 189 Mbytes por mês para 342 Mbytes por mês, um aumento de 81%.
As informações são do estudo Visual Networking Index, da Cisco, que também registrou um aumento de 70% no tráfego global de dados móveis no mesmo período -de 520 petabytes por mês para 885 petabytes mensais.
Um petabyte equivale a mil terabytes, ou 250 mil DVDs.
No Brasil, o crescimento foi ligeiramente menor do que a média global --de 11,8 petabytes, em 2011, para 19,8 petabytes, em 2012, um aumento de cerca de 68%.
Segundo o instituto Nielsen, 36% dos celulares no país são smartphones.
O estudo da Cisco prevê ainda que, em 2017, cada smartphone gerará 2,7 Gbytes de tráfego por mês, cerca de oito vezes a média de 2012.
HABITAT MÓVEL
O universo dos dados faz parte da rotina do publicitário Rodrigo Terra, 41. Não apenas Instagram, Facebook e Twitter para ver se apareceu alguma foto bacana aqui, novidades de amigos acolá, notícias corriqueiras do dia a dia --e-mails, aplicativos para buscar táxi, GPS e WhatsApp já se incorporaram à rotina pessoal e profissional.
"Uso dados o dia inteiro porque tenho plano ilimitado", explica. "Pago R$ 29 por uso irrestrito de internet para pessoa física, mesmo. Troquei de operadora [por causa de problemas no tráfego de voz], mas a conta aumentou uns R$ 300 e voltei a usar o plano anterior", relata ele.
São 2 Gbytes consumidos por mês, distribuídos em doses cavalares e diárias de conexão. Uma porção disso, por exemplo, vai para administrar o conteúdo que seu filho acessa no computador por meio de um app de segurança voltado para a família.
"Programo remotamente assuntos e sites que ele pode pesquisar pelo smartphone. Também transfiro muitos arquivos para clientes. Costumo receber e aprovar muita coisa pelo celular", diz.
Mesmo sendo um "heavy user" (aquele tipo de usuário contumaz), ele limita essa característica. "Eu me policio muito. O mundo está exagerando um pouco nessa coisa de depender de celular. Costumo desligá-lo, leio um livro com meus filhos. A sociedade está começando a se preocupar", reflete.
A relação intensa com dados também é natural para Mirian Bottan, 26, repórter do programa "A Liga" (Band). "É bizarro, mas ele é quase uma continuação da minha mão. [O celular] está ao alcance dela o tempo todo. O movimento de destravar o telefone é tão automático que às vezes destravo e travo em seguida, é involuntário", brinca ela, cujo consumo fica em torno de 2 Gbytes por mês.
Além de usar apps de redes sociais "a cada cinco minutos", Mirian diz usar serviços de mensagens on-line e fazer buscas "quase o tempo todo", quando surgem dúvidas numa conversa, por exemplo.
Na última quarta-feira (5), um dos leitores da Folha enviou uma carta ao Painel do Leitor onde questionava se o uso do telefone celular era um "sinal de evolução ou de involução".
O leitor José Marques se referia especialmente àqueles que, ao usar em excesso o telefone celular, nas ruas, restaurantes, shoppings etc., acabavam ignorando as pessoas que estavam ao seu lado.
Cena parecida, mas sem as críticas do leitor, foi descrita pelo jornalista Ruy Castro em sua coluna na Folha, no início de janeiro de 2013.
No texto, o jornalista afirma que, nos anos 80 e 90, ele nunca se acostumou com as pessoas falando sozinhas pelas ruas de Nova York, Londres e Paris.
Na verdade, essas pessoas já estavam ao celular, que chegou em solo brasileiro algum tempo depois. Como ele não via isso no Brasil, "deduzi que falar sozinho era uma característica da civilização", escreve.
Diante dessa situação, o Painel do Leitor perguntou ao leitores qual era a relação deles com seu celular e/ou smartphone.
Dos 377 leitores que participaram da enquete, a maioria dele (61%) disse que só usa o aparelho para receber chamadas e fazer ligações importantes.
No outro polo, 17% dos leitores afirmaram que não têm relação alguma com o celular, porque não têm aparelho.
Em terceira lugar, com 11%, estão os que dizem que ficam conectados o tempo todo em seu aparelho, pelo qual atualizam suas redes sociais, como Facebook, Twitter, Google+ etc.,
Apenas 6% dos leitores disseram que ficam desesperados se a bateria acaba, temendo não ser localizado. Dos leitores que participaram da enquete, 3% usam apenas para bisbilhotar a vida de amigos e 1% têm o aparelho apenas porque ganhou da empresa em que trabalha.
PUNIÇÃO AO CORINTHIANS
Na semana passada, questionados sobre a punição recebida pelo Corinthians na Copa Libertadores, 66% dos leitores afirmaram que a pena recebida pelo time era justa.
A pesquisa ocorreu pouco mais de uma semana após a morte de um torcedor boliviano durante o jogo entre Corinthians e San José, em Oruro (Bolívia).
Na ocasião, a decisão da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) era de que o time disputaria suas partidas desfalcado, sem contar com seu décimo segundo jogador, a fiel torcida.
Dustin Moskovitz, cofundador do Facebook, Sean Parker, presidente fundador do Facebook, e Matt Mullenweg, criador do WordPress, são algumas das pessoas --dentre muitas outras-- que não concluíram o ensino superior e se tornaram profissionais bem-sucedidos.
Para Ellsberg, investir em uma educação continuada é fundamental. Intrigado como o que considerou ser uma tendência para o século 21, Michael Ellsberg procurou compreender esse processo. O resultado deste estudo está em "Educação de Futuros Milionários", agora publicado no Brasil.
Descartar a necessidade de ingressar em uma universidade --e esta ideia exclui consequentemente MBA, mestrado, doutorado etc-- não quer dizer que o estudo se tornou obsoleto ou algo que pode ser negligenciado.
"Você foi alimentado por uma mentira que diz o seguinte: se você estudar muito na escola, tirar boas notas, entrar em uma boa faculdade e obtiver um diploma universitário seu sucesso na vida estará garantido", escreve o autor. "Isso pode ter sido verdade 50 anos atrás. Hoje não é mais."
Com curso superior ou não, o livro apresenta maneiras de aprimorar capacidades e habilidades que são fundamentais no mercado de trabalho. Ellsberg, consultor de empreendedorismo, desenvolvimento de carreira e educação, escreve para o site Forbes.com.
No final deste ano, a quantidade de aparelhos capazes de transmitir dados pela rede de celular vai superar o número de pessoas no planeta.
A projeção é ainda mais assustadora para daqui a quatro anos, quando as máquinas conectadas devem somar 10 bilhões --para uma população prevista de 7,6 bilhões.
As contas, feitas pela Cisco, consideram não apenas a expansão dos celulares --um mercado hoje com 3,2 bilhões de assinantes, incluídos aí os que têm plano de dados.
Entra no bolo também um grupo "mudo", mas muito ativo: as máquinas conectadas a outras máquinas (como carros e aparelhos médicos).
Não é só isso, porém, que apavora as operadoras, responsáveis por conectar tudo.
Reunidas na semana passada em Barcelona, no Mobile World Congress, a maior feira anual do setor, elas apontaram seguidamente que a expansão dos chips de celular vem acompanhada de uma revolução nos aparelhos e nos hábitos das pessoas.
"3G [banda larga móvel] e smartphones mudaram a indústria", diz o presidente da AT&T, Randall Stephenson.
Os novos modelos fazem explodir o tráfego na rede. Um usuário do iPhone 5, lançado em 2012, consome em média quatro vezes a quantidade de dados utilizada por quem tem um iPhone 3G, de 2008, aponta a Arieso, outra empresa que analisa o setor.
Esse impulso não vem só das telas mais convidativas às fotos, das câmeras que produzem vídeos imediatamente publicáveis no YouTube ou dos teclados mais funcionais.
A parte "invisível" dos celulares também eleva o consumo de dados móveis, que hoje equivale a 12 vezes o tráfego que a internet "convencional" tinha em 2000.
Mais e mais os sistemas se valem da computação em "nuvem" para funcionar, o que obriga a um vaivém de informações nas redes.
Já os programas e aplicativos têm ficado mais famintos. A Alcatel-Lucent calcula que só o redesenho do site móvel do Facebook elevou de 5% para 10% o tráfego nas redes.
E o problema é global. Na China, a troca de dados móveis aumentou 187% no ano passado. "Essa alta não é sustentável", afirma Xi Guohua, presidente da China Mobile, a maior operadora do mundo em assinantes (700 milhões).
O esforço para dar conta de tanta demanda é gigante até para um setor de números superlativos como o da telefonia, com faturamento anual na casa de US$ 1 trilhão --quase o PIB da Coreia do Sul.
O investimento não é só em mais torres, mas em torres menores e mais eficientes, que transmitam dados com a tecnologia 4G (que começa a ser implantada aqui), e em maior oferta de wi-fi.
Isso ajuda a entender por que as teles reclamam tanto, e o tempo todo, quando o assunto é expansão da rede. Querem não só menos regulações --e impostos-- dos governos, mas tentam também empurrar parte da conta para quem incentiva os consumidores a usar mais dados.
Nesse grupo "vilão" estão, por exemplo, Viber, WhatsApp e Skype, as empresas OTT (over-the-top, que utilizam a estrutura das operadoras para oferecer seus serviços).
Além de pressionar o consumo de dados, tais aplicativos concorrem diretamente com coisas antes só oferecidas pelas teles, como mensagens e chamadas de voz.
Por outro lado, é graças a esses serviços que a receita das operadoras de celular com dados caminha para ultrapassar a obtida hoje com a função original dos telefones: transmitir voz. A inversão, preveem as teles, deve acontecer em 2018.







