A presidente Dilma Rousseff deve anunciar neste mês um sistema de financiamento a empresas e instituições ligadas ao desenvolvimento de tecnologia e inovação.
Segundo o ministro Marco Antônio Raupp (Ciência, Tecnologia e Inovação), serão até R$ 30 bilhões em crédito direto a empresas e recursos a fundo perdido ou para cooperação entre institutos, universidades e empresas.
Alguns recursos estão sendo usados em linhas de financiamento já anunciadas, como o Inova Petro, que engloba R$ 3 bilhões para inovação na área de petróleo e gás. "Mas haverá linhas e recursos novos no programa", diz Raupp.
O sistema, unificado, está em fase final de desenvolvimento entre o Ministério da Ciência, a pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o BNDES e a Finep, órgão de fomento do governo federal.
Raupp esteve nesta quinta-feira (7) no Rio para assinar acordo de cooperação científica com a empresa EMC, que investirá R$ 200 milhões em cinco anos para pesquisas tecnológicas.
Joel Levin, professor de uma escola em Nova York, passeia com seus alunos em uma área ampla e arborizada toda sexta-feira pela manhã para ensinar biologia. No fim da aula, ele oferece pás e outras ferramentas às crianças, que têm de 8 a 12 anos, e lança um desafio: "Usem materiais da natureza e construam o que a imaginação permitir".
Tudo acontece dentro de "Minecraft", game de construção de blocos, uma espécie de Lego virtual, que permite ao jogador montar praticamente qualquer objeto, de pequenas casas a grandes castelos e cidades inteiras.
O jogo, que foi lançado oficialmente em 2011 e tem mais de 40 milhões de usuários, é usado por Levin como plataforma educativa. E ele não está só: quase mil escolas do mundo fazem o mesmo.
Na China, alunos aprendem literatura reconstruindo cenários de romances clássicos. Na Austrália, combinações de matéria-prima para fazer novos produtos são usadas nas aulas de matemática. Na Suécia, terra natal da Mojang, companhia responsável por "Minecraft", uma escola incluiu, neste mês, o jogo na grade de disciplinas.
"Escolhi Minecraft porque o jogo é um mundo aberto, cheio de possibilidades para qualquer matéria", diz Levin. "Os alunos devem seguir tarefas predeterminadas, que seguem um plano de aula."
Levin teve a ideia de usar "Minecraft" na sala de aula, quando viu sua filha de cinco anos construir, sozinha, uma casa na árvore no game.
"Percebi que ela estava aprendendo muitas coisas, como noções de geometria e física", diz. A partir daí, ele adaptou o jogo para as aulas.
Nasceu então o projeto MinecraftEDU, que vende a versão especial do game com 50% de desconto para escolas.
Cláudio Mendes, professor da Universidade Federal de Ouro Preto que estuda o uso de games na educação, diz que jogos são uma ótima ferramenta de ensino, mas que é preciso escolher bem o título.
"Simuladores de construção como Minecraft ou SimCity são os mais indicados por não terem missões específicas nem enredo definido, o que estimula a criatividade", diz Mendes, acrescentando que, no Brasil, a adoção de tais recursos é tímida.
PROGRAMA DA ONU
Além das escolas, "Minecraft" também virou base para projetos sociais. Até 2016, a ONU pretende revitalizar mais de 300 espaços urbanos no mundo com a ajuda do jogo.
O projeto, chamado Bloco por Bloco, é coordenado palo Habitat, escritório da ONU para desenvolvimento urbano e ambiental, e busca envolver jovens na recuperação de áreas abandonadas.
Para isso, os locais são recriados dentro do game, e os jogadores são convidados a modificá-los virtualmente, para ver como o espaço ficaria. O primeiro local a ser revitalizado é um parquinho na periferia de Nairóbi (Quênia).
"Temos novidades para mostrar e vamos lançar um site em breve. Ainda não sabemos se há alguma cidade no Brasil, mas vamos passar por todos os continentes", diz Lydia Winters, diretora da produtora Mojang, parceira da ONU no Bloco por Bloco.
O Vaticano colocou nesta quarta-feira à disposição dos internautas os primeiros 256 manuscritos da Biblioteca dos Papas, graças a um projeto que pretende disponibilizar na internet mais de 80 mil documentos.
Até agora, os manuscritos tinham permanecido fechados na Biblioteca do Vaticano protegidos por rígidas medidas de segurança e conservação e só podiam ser consultados por 250 especialistas, informou nesta quinta-feira (31) o jornal "Il Corriere della Sera".
O projeto pretende pôr à disposição de qualquer pessoa as páginas destes documentos, que serão digitalizados com o uso de uma tecnologia da Nasa, empregada para conservar as imagens de suas missões espaciais.
Um dos objetivos com a digitalização é evitar a deterioração dos manuscritos devido à prolongada consulta direta dos especialistas.
O projeto nasceu de um acordo entre a Biblioteca do Vaticano e a Biblioteca Bodleiana de Oxford, feito em abril de 2012, para disponibilizar seus textos na internet com consulta gratuita.
Os documentos incluem obras de Homero, Platão, Sófocles, Hipócrates, manuscritos judaicos e alguns dos primeiros livros italianos impressos durante o Renascimento.
A Biblioteca do Vaticano foi criada por volta do ano 1450 pelo papa Nicolás 5º, nos fundos de sua própria biblioteca pessoal.
Entre suas joias estão o "Codex Vaticanus", um dos mais antigos manuscritos da Bíblia grega que se tem notícia.
Para acessar a biblioteca, vá em www.vaticanlibrary.va.
O Twitter lançou nesta quinta (24) uma ferramenta que permite incorporar vídeos de até seis segundos de duração aos tuítes, chamada Vine.
Por enquanto, só podem postar um vídeo do Vine usuários do sistema iOS, da Apple. Todos os usuários, contudo, podem assistir aos vídeos postados (veja exemplos fazendo uma busca por "vine.co" na rede).
O Twitter disse estar trabalhando para estender o aplicativo para outras plataformas.
O funcionamento dos vídeos é semelhante ao de uma imagem animada do tipo GIF: eles se repetem infinitamente. Diferenciam-se por ter áudio.
"Os vídeos do Vine têm tudo a ver com abreviação --a versão curta de algo maior. São pequenas janelas que nos permitem ver as pessoas, ideias e objetos que compõem sua vida", descreveu-se o aplicativo em um post no blog oficial.
"Assim como o Twitter, queremos tornar mais fácil para as pessoas se juntarem para compartilhar e descobrir o que acontece no mundo."
A ferramenta havia sido apresentada antes do anúncio oficial por Dick Costolo, presidente-executivo do Twitter, em sua conta no site, com um curto vídeo da preparação de um tartare, prato de carne crua temperada.
"Agora que você pode facilmente capturar movimento e som, esperamos ver o que você vai criar", escreveu a empresa em comunicado.
Na tarde do mesmo dia de seu lançamento, o Vine apresentou instabilidade para alguns usuários, que foram impedidos de carregar os vídeos pela falha. O funcionamento, contudo, está aparentemente normalizado.
Gratuito, o Vine pode ser baixado na App Store.
O indiano Salim Ismail, 47, é um dos fundadores da Universidade da Singularidade, organização encravada em um campus da Nasa, a agência espacial dos EUA, no Vale do Silício.
Anualmente, 80 estudantes do mundo todo vão à instituição, em Mountain View (Califórnia), para um curso de dez semanas em que, como define a própria universidade, "aprendem a resolver os maiores problemas globais", como a fome e os desastres climáticos.
Para Ismail, empresário que hoje coordena o processo de expansão global da escola, o próximo Facebook pode ser fundado no Brasil. "Não há motivo para isso não acontecer", disse em e-mail à Folha o diretor da universidade norte-americana.
Ele estará em São Paulo na semana que vem, para realizar uma palestra na sexta edição da Campus Party, evento de tecnologia que começa na próxima segunda. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.
A universidade
A ideia central [da Universidade da Singularidade] é estudar as áreas da tecnologia que estão se transformando mais rapidamente, como a computação, a robótica e a biotecnologia, para resolver os maiores problemas globais, como a crise financeira, pandemias e outras questões exponenciais.
Soluções exponenciais
Estamos acostumados a uma forma de pensamento linear, enquanto os maiores problemas do mundo são exponenciais -no caso de uma doença contagiosa, por exemplo, eu posso transmiti-la para duas pessoas, essas duas pessoas para mais quatro, e assim por diante. Nós estamos preparando os estudantes para encontrar soluções que também sejam exponenciais, em especial ligadas a áreas como a computação, que se aceleram por conta própria.
Pensar diferente
Estamos verificando o crescimento de organizações como o TED e o X Prize [fundações que apoiam o surgimento de ideais e projetos sociais e humanitários]. Nelas, quando uma pessoa é adicionada ao grupo, há um salto de produtividade muito superior ao do que aconteceria em uma empresa tradicional. São colaborativas, conectadas, usam "crowdsourcing" e têm uma visão de propósito que cria um novo tipo de estrutura.
Voz estrangeira
Cerca de 85% dos nossos estudantes não são dos EUA. Os cerca de 4.000 candidatos anuais vêm de 120 países. Não poderíamos querer resolver problemas globais sentados no Vale do Silício. As diferentes formas de pensamento são importantes para nós.
Poder do Brasil
Somos muito otimistas em relação ao Brasil, porque há muito entusiasmo e empreendedorismo natos. Quando isso é exposto a tecnologias poderosas, pode ter resultados extraordinários. Acredito que, por isso, o Brasil será um dos mais importantes países para as próximas gerações.
Por causa do advento dos celulares e da democratização da tecnologia pessoal, acho que o próximo Facebook deve nascer no Brasil ou em outro país emergente. Não há razão para que isso não aconteça. O Facebook foi criado em um notebook de US$ 1.000; o próximo deverá ser feito em um celular de US$ 100.
A Nasa e o Vale do Silício
É essencial [para a universidade] que estejamos na Nasa e, mais importante, no Vale do Silício. Em um raio de 50 km, podemos entrar em contato com os maiores pensadores do mundo nas áreas da tecnologia que nos interessam.
O campus Ames é responsável pela parte de supercomputação de toda a Nasa, o que nos dá acesso ao trabalho de mais de 4.000 pesquisadores nesse tema essencial.
Nunca poderíamos estar dentro de Berkeley ou de Stanford, porque gastaríamos muito tempo combatendo suas maneiras velhas de pensar.
Humanos x máquinas
Muitas vezes, o conceito de singularidade [que dá nome à instituição] é posto como um momento mágico no tempo em que a inteligência artificial superará a dos seres humanos.
Não acredito nisso porque nem sequer entendemos perfeitamente ou sabemos mensurar a inteligência.
Temos a inteligência humana como parte de um processo criativo e cheio de nuances, algo que não sei se poderíamos replicar com inteligência de máquinas.
RAIO-X
SALIM ISMAIL, 47
QUEM É
Nascido em Mumbai, formado em física pela Universidade de Waterloo (Canadá), é cofundador da Universidade da Singularidade
O QUE JÁ FEZ
Foi vice-presidente do Yahoo!, onde criou a encubadora Brickhouse (2007-2008).
Em 2010, sua empresa Angstro, que compilava informações na web sobre os contatos de seus usuários, foi comprada pelo Google







